Vontade de Sexo, drogas e Tarantino. Desentoca: Thriller- A Cruel Picture

Uma mulher com sede de vingança usa técnicas de artes marciais e armas de fogo para matar de forma violenta um por um daqueles que a fizeram sofrer tanto. Não, não estamos falando de Beatrix Kiddo de “Kill Bill”, esta é Madeleine, personagem do filme sueco da década de 70, Thriller- A Cruel Picture.

Quentin Tarantino já declarou em entrevistas que esse filme foi um dos que o inspirou muito na construção do personagem de Uma, em Kill Bill, principalmente a força interior dessa mulher e o desejo de uma vingança muito, muito, muito dolorosa, deixando um gostinho “gostoso” de sangue na boca.

Em Thriller- A Cruel Picture, filme lado B de violência/violação, a modelo de nú “artístico” Christina Lindberg interpreta Madeleine, menina doce e simples que foi violentada quando muito pequena, por um senhor muito nojento, e em consequência disso fica muda. Até aí tudo bem.

Um belo dia a ingênua garota trabalhava na leiteria de seu pai quando um cara charmoso em um carrão a convida para sair. Inicialmente um jantar, depois uma cerveja em casa, e no fim, o rapaz dá o “boa noite cinderela” na jovem e aplica heroína. Após dias e dias desacordada e sendo drogada Madeleine está completamente viciada, e assim, dependente do rapaz.

O homem deixa as regras bem claras, ela deve se prostituir na casa onde estão, assim ele ganha dinheiro, ela ganha pouco, mas receberá as doses da droga que tanto precisa. Após uma insubordinação uma das cenas mais chocantes do filme, o homem se torna mais violento e arranca um dos olhos de Madeleine, que passa a usar uma tapadeira. A cena do olho dá calafrios, e os suecos, que não estavam para brincadeira, utilizaram um cadáver de verdade para grava-la.

Depois de meses de humilhação por parte dos clientes, de saber que seus pais se suicidaram por culpa do cafetão, que também a agredia e humilhava, de saber que sua colega, também viciada e prostituta, foi assassinada por um cliente, Madeleine mostra o lado que tanto inspirou Tarantino e se prepara para uma super vingança, fazendo aulas de artes marciais, tiro e direção de rally.

O final é épico, digna dos melhores faroestes, a heroína mudinha nem precisa falar, mostra no olhar seu ódio, e acaba com a vida dos clientes e do cafetão de forma fria e em câmera lenta, aliás, câmera muito lenta, tanto que dá tempo de ir fazer a pipoca e voltar e ela inda não vai ter terminado de matar aquela pessoa. A morte do cafetão é cruel.

Filme muito bom, as fases da heroína podem ser acompanhadas pelas mudanças de cor de sua tapadeira que começa rosa, quando se torna prostituta, passa pelo vermelho, quando começa a se preparar para a vingança e chega ao preto no ápice de seu ódio. A interpretação é bem parada durante a maior parte do filme, como a personagem é muda, não há a fala para desviar a atenção de que a expressão de Madeleine é a mesma o tempo todo, mas até que a modelo soube fazer muito bem a Madeleine vingativa.

As cenas são bem reais, a retirada do olho, as injeções da droga ( a atriz injetava de verdade em seu corpo água com sal, para garantir a veracidade) e infelizmente as cenas de sexo também. Nesse aspecto quem curte Sexplotation vai gostar muito, eu passaria muito bem pelo filme, sem perder a essência de Madeleine, se não houvesse tantas cenas de penetração. Ainda bem que temos o botão para adiantar todas elas.

Confiram abaixo o trailler dessa obra que foi banida por um tempo lá na Suécia e possui muitas versões com mais cortes, menos cortes e nenhum corte.

Anúncios

Queridas mães do cinema

Neste Dia das Mães decidimos fazer uma homenagem destacando àquelas mães que por um motivo ou outro marcaram nossas vidas de cinéfilos.

Aviso, pode conter SPOILERS!

Mães Do Cinema I
por Fernando Palhano

Beverly Sutphin (Kathleen Turner – Mamãe é de Morte) não é nada mais que uma mãe dedicada. Quer ver a felicidade dos seus filhos e a traquilidade do lar. E fará qualquer coisa pra ver isso acontecer. Eu disse QUALQUER coisa. É capaz, por exemplo, de matar uma velhinha que não rebonina as fitas na locadora em que o filho trabalha. Não sem antes dar pedaços do pernil que usou para isso ao cachorrinho da vítima. Um exemplo clássico de doçura e psicopatia materna!

Ser mãe é padecer no paraíso. Com o perdão do lugar-comum, se tem uma mãe do cinema que entende de padecer é Selma Jezková (Björk – Dançando no Escuro). Imigrante tcheca nos Estados Unidos, Selma, quase cega, precisa trabalhar em uma indústria pesada para pagar uma cirurgia para o filho, antes que ele também se torne cego. Assista. Prepare lenço. Você vai chorar.

Cinco filhos, um marido, algumas corujas e uma casa mágica. Como se não fosse suficiente, Molly Weasley (Julie Waters – Harry Potter) ainda adotou os amigos do seu filho Rony: Harry e Hermione. Super-protetora ao extremo, Molly ainda irá mostrar que não se brinca com a sua cria. Bellatrix Lestrange que se cuide!


Uma das mais devotadas mães do cinema é também uma das mais tradicionais. Ao menos, é apegada às tradições tão peculiares da sua família. Trata-se de, ninguém mais, ninguém menos, que Mortícia Adams (Anjelica Houston – Família Adams). Mais que mãe, é uma esposa sexy e sedutora e um pouco tenebrosa. Gomez que o diga.

Porém, tenebrosa mesmo, é a história de Rosemary Woodhouse (Mia Farrow – O Bebê de Rosemary). Depois de se mudar com o seu marido para um prédio sinistro, coisas estranhas começam a acontecer. Rosemary desconfia que o marido está envolvido com magia negra e quer entregar o filho em troca de sucesso. Na luta para proteger o bebê que ainda não nasceu, a coitada vai ser surpreendida com o verdadeiro pai do rebento.

Mães Do Cinema II
por Myrianna Albuquerque


O que dizer de uma mãe que vê o seu filho morrer? Dizem que é a pior dor que uma pessoa pode sentir. Este é o caso de Manuela (Cecília Roth – Tudo sobre minha mãe). Após assistir seu filho ser atropelado e não resistir no hospital, ela começa a sua jornada para Barcelona, local onde vive o pai de Esteban. O que é mais interessante é ver a jornada da dor e superação que a personagem passa durante todo o filme. Muito lindo. Um dos meus preferidos.

(SPOILER) Existem também àquelas mães ciumentas, e ainda àquelas que acham que nenhuma mulher será boa o suficiente para seus filhos. Norman Bates (Anthony Perkins – Psicose) sofria com esse problema. Como arranjar alguém se sua mãe sempre implica com todas as possíveis candidatas? Pelo menos é isso que pensamos durante todo o filme. Até que descobrimos que, na verdade, Norman guardava o cadáver da mãe no sótão e se travestia com as roupas dela para matar as tais possíveis pretendentes. Estranho, não?

A Noiva (Uma Thurman) é uma mãe que também marcou muito o cinema. Quase nada por seu papel maternal que só aparece ao final do segundo volume de Kill Bill. Na verdade o que se destaca nesta mãe é a sua jornada em busca de vingança contra quem tentou matá-la e a deixou em coma por quatro anos. Além disso, é muito interessante o caminho da personagem que a leva a encontrar respostas sobre quem ela realmente é, bem como o momento em que ela descobre que tem uma filha nascida enquanto estava em coma.

Ann (Sarah Polley – Minha Vida Sem Mim) é mãe de duas meninas e tem uma vida bastante difícil. É faxineira em uma universidade e mora em um trailer com o marido e as filhas. Após descobrir que só tem dois meses de vida decide fazer tudo o que sempre teve vontade de fazer e nunca teve a oportunidade. Neste drama de Isabel Coixet, Ann busca a satisfação e a felicidade nas pequenas coisas da vida. Uma mulher forte e que quer ser feliz. Linda as fitas que ela deixa para as filhas. Chorei litros.

E pra terminar minha participação neste especial, escolhi uma mãe guerreira, literalmente falando: Sarah Connor (Linda Hamilton – Exterminador do Futuro). Ficção científica é um dos gêneros que eu aprecio bastante e não poderia esquecer a mãe que quer proteger o seu filho para que ele possa salvar a humanidade. E ela enfrenta os piores obstáculos. Ou vai me dizer que lutar contra um Terminator é fácil?

E aí? Gostaram da nossa listinha? Tem muitas mães importantes que ficaram de fora, mas o espaço era pequeno. Aproveitem e digam qual a mãe das telas de cinema que vocês mais gostam.

Texto originalmente escrito para o Não eh um blog