Antes do Amanhecer, do Pôr-do-Sol e da Meia-Noite

E ontem (05), no dia dos irmãos, me peguei vendo filminho com minha mana. Foi bem assim que postei sobre essa coincidência no facebook  e que fez começar a escrever esse texto. Não, não é sobre a difícil relação entre irmão – embora até coubesse, afinal eu e minha irmã vivemos uma típica relação de amor e ódio eternos – mas é sobre um filme que paramos para ver… Na verdade sobre uma trilogia de filmes: Antes do Amanhecer (1995), Antes do Pôr-do-Sol (2004) e o recém-lançado Antes da Meia-Noite (2013).

Antes de

A primeira vez que vi “Antes do Amanhecer” foi pela TV ainda na década de 90. Eu na época um típico desajustado jovem de cidade pequena, ouvinte de rock e MPB, com ideais socialistas, leitor de Os Pensadores, e, sendo bem franco e autocrítico, com ares de PIMBA (Pseudo-Intelectual Metido à Besta Associado), vi o filme com certo desdém, pois ele me foi apresentado como uma comédia românica. Porém, não falando de modo pejorativo, a filosofia de banheiro, a “boteco-psicologia”, a “eno-sociologia” e o ar underground do filme me conquistaram.

O filme – vou tentar não contar nada que tire o prazer de quem for ver pela primeira vez – conta a história dos dois jovens: o americano metido a intelectual Jesse, vivido por Ethan Hawk e a francesa Celine, interpretada por Julie Delpy. Os dois se conhecem em um trem. Ele após cruzar a Europa finaliza sua viagem em Viena e ela está indo de Budapeste a Paris. Os dois decidem continuar a conversa iniciada no trem caminhando pela capital austríaca até o “amanhecer”. Durante a conversa questões como: morte, livre arbítrio, solidão, sexo e claro as relações homem x mulher, são tratadas de forma espontânea. (Mais sobre o filme aqui)

Café 1

Embora tenha um roteiro que eu considero muito acima da média fugindo completamente aos clichês do estilo, conte com uma dupla de atores que conseguiu manter uma dinâmica excelente e Richard Linklater por seu trabalho muito bem-sucedido artisticamente tenha ganho o Urso de Prata, do Festival de Berlim de 1995. O filme, creio eu, não foi um sucesso avassalador – até por que os longos diálogos que tanto me atraíram distanciam o grande público. Porém se tronou cult e, vamos ser realistas, se não tivesse obtido um certo êxito não teria gerado expectativas e rendido suas sequências, não é mesmo?!

Antes do Pôr-do-Sol” – que eu não sabia que existia até três anos atrás, veio nove anos depois do primeiro filme e mostra um novo encontro da dupla/casal Jesse e Celine. Mais velhos os dois fazem inúmeras referências ao filme anterior, mas quem não viu o primeiro filme consegue facilmente se ambientar na história que novamente trás os dois dialogando. Dessa vez sobre temas como os conflitos da maturidade, meio ambiente, politica… Tudo isso envolto em uma aura de humor inteligente e tensão sexual entre os dois, que diverte e leva o expectador a refletir sobre como alguns caminhos que percorremos (ou seria melhor dizer que não percorremos?) podem nos levar a frustrações.

cafe 2

É costume, ao se falar de trilogias, dizer que o primeiro filme é bom, que o segundo é mediano e o terceiro é o ápice (do êxito ou da catástrofe). Sobre “Antes da Meia-Noite” essa máxima não se concretiza, não que o filme seja ruim, muito pelo contrário, a terceira parte da história que está em cartaz nos cinemas (em Natal ele já saiu dos cines) é apenas diferente. Isso não só por agregar outros personagens que trazem uma outra forma de dialogar à trama, mas por trazer a concretização, ou não, dessa relação.

bar

Enquanto nos dois primeiros filmes se tinha uma idealização do relacionamento o terceiro mostra como ele se dá de fato. Será que esse estágio determina o fim do romantismo?! Ou o romantismo apenas muda seu modo, afinal o casal chegou na fase do, como eu diria: não estamos mais tentando conquistar e sim reconquistar um ao outro a cada momento.

Ah mas e cadê a música?

É eu ia esquecendo esse detalhe… Para não parecer que estou descaradamente me apoderando do espaço de cine do NaTocaTem deixo uma cena do primeiro filme quando Jesse e Celine estão em uma loja de discos e entram em uma cabine de música… “Come Here”, da Kath Bloom, é a musiquinha que inspira olhares no casal em uma cena sem diálogos e cheia de romantismo. Push/Play

Anúncios

É “Fim de Carreira”!

Por: Lina Bel Sena

O grupo de comédia independente “Fim de Carreira” está longe de ter sua carreira decretada ao fim. Com uma equipe que tem muita garra para trabalhar, o grupo possui projetos que abrangem as linguagens de teatro, vídeo e artes visuais, sempre, com bom humor.

971028_429650443815653_1929811591_n (2)

Os projetos iniciais do “Fim de Carreira” aconteceram em novembro de 2012, já suas atividades artísticas começaram quando o diretor e ator, Rodrigo Nascimento – em sua pesquisa de mestrado voltada para o riso e o cômico – pensou em desenvolver uma web série de comédia. Para tanto, o diretor entrou em contato com profissionais da área para constituir a equipe técnica e depois selecionou o elenco. E foi da equipe formada para o trabalho com vídeo que surgiu o espetáculo de teatro “Se Ainda existe Amor”.O espetáculo, que possui fragmentos de textos de Luís Fernando Veríssimo, foi montado em 15 dias e vem agradando ao público.

Apresentado, preferencialmente, em espaços não convencionais ao teatro, como em bares, a experiência tem estimulado a equipe, pois requer maior concentração: “É algo imprevisível! Estava em cena um dia e a garçonete entrou na cena e perguntou se o pessoal de uma das mesas queria mais cerveja. Ou seja, situação atípica que requer certo jogo de cintura. Por outro lado, oferecemos ao público uma experiência com a qual ele se identifica muito” ressaltou Rodrigo ao falar sobre o projeto.

1012335_414085392038825_1277906965_n

O público que acompanhou o trabalho no bar volta aos outros espaços para acompanhar o “Fim de Carreira”. Foi assim no Teatro de Cultura Popular e vem sendo assim no Memorial Câmara Cascudo, onde estão em cartaz. Com o diferencial de trazer um humor mais sutil, menos escrachado, sem palavrões ou exagero na interpretação, esse tipo de comédia requer a atenção e a participação do espectador na hora de montar as piadas. Os comentários têm sido os melhores e o marketing do “boca a boca” muito tem contribuído para o sucesso do grupo. Existem possibilidades de apresentações em Mossoró, Santa Cruz e em um shopping da cidade do Natal, tudo em fase de negociação.

Apesar da excelente repercussão do espetáculo, o foco inicial do grupo independente de comédia é a web série “Fim de Carreira”. “Nossa pretensão é uma temporada de 3 meses, com vídeos independentes (isto é, sem vínculos uns com os outros) e uma série. A cada semana, durante esses três meses, veicularemos um vídeo independente e um capítulo da série. Serão vídeos curtos, de no máximo 3 minutos”, disse Rodrigo que adiantou que as gravações das chamadas estão em processo de edição. “O próximo passo é gravar as cenas”.

Outras possibilidades estão sendo analisadas, mas tudo vai depender de uma reestruturação interna. Além do espetáculo “Se Ainda existe Amor” e da web série “Fim de Carreira”, existe também um espetáculo solo com formato One-man Show que Rodrigo Nascimento apresentará junto à sua dissertação de mestrado, que pode vir  a integrar o repertório do grupo.

E para quem ficou com vontade de assistir o “Fim de Carreira” com o espetáculo “Se ainda existe Amor” o grupo está terminando sua terceira temporada esse final de semana, dias 24 e 25 de agosto, no Memorial Câmara Cascudo, às 19:00h.
ELENCO
Maria Alice: Aline Teixeira
Laurita Paula: Nathália Macedo ou Camilla Natasha
Branca de Deus: Erika Yuka
Rosimar Amado Candiota: Rodrigo Nascimento
Júlio Mendonça: Stéfano Alves
Alencar Alímpio: Rafael Alves

Direção: Rodrigo Nascimento
Direção de vídeo: Nathália Mattos
Produção executiva: Kaliany Gurgel
Produção artística: Tiago Lincka
Assessoria: Julianne Barreto

Qualquer novidade do grupo pode ser acompanhada pelo https://www.facebook.com/ProgramaFimdeCarreira?fref=ts.

A galinha dos ovos de ouro

“… A Galinha Pintadinha e o Galo Carijó, a galinha usa saia e o galo paletó tó-tó”

– Papai cabô! “Linha pintadinha bota?” Um, dois e trêeeees!

– Tá vamos lá só mais uma vez. Lá ia o pai colocar pela segunda vez naquela tarde o vídeo da tal Galinha Pintadinha “de dourado” – personagem que não lhe deu descanso durante aquela semana de “férias”.

galinha

Carlos Matos – um cineasta por formação – é o que hoje se convencionou chamar de “gente de humanas que faz um monte de coisa que não dá dinheiro”, dependendo da ocasião era jornalista, produtor de TV, design gráfico, analista de mídias, editor de vídeo, fotografo, professor de inglês, ator, cantor… Atualmente estava a espera do próximo freela para custear as despesas do mês.

Pai solteiro, além da ralação habitual, Carlos tinha que se dedicar ao filho, e o pequeno Felipe de apenas um ano e meio, não é fácil e sempre o obriga o pai a dançar junto:

– Papaiiiii, vamos lá!! Pulando, pulandoooo!!!

Depois de uns minutos de uma intensa ginástica de “formiguinha no pé, coxa, mão e cabeça” os dois se esparramavam no chão brincando de contar e de montar as letrinhas… Carlos só não podia desligar a TV, pois logo que percebia a falta de seus personagens na TV o menino tratava de reiniciar a sessão musical e performática.

E naquela tarde depois de muita brincadeira e musiquinhas o pequeno terminou dormindo, mas a TV continuou ligada. Carlos pôs o garoto no berço e voltando para a sala se esparramou no sofá olhando para aqueles personagens que o filho tanto gostava. Mais cedo vira na internet: Galinha Pintadinha – projeto rejeitado por emissoras de TV é o grande boom do mercado infantil.

A matéria dizia que diferente de tantos outros produtos midiáticos da atualidade a Galinha Pintadinha não havia surgido na TV, era o primeiro grande fenômeno de mídia infantil surgido na internet brasileira. O personagem e sua turma foram criados para serem a presentados a uma emissora de TV porém não houve interesse pelo produto, segundo os executivos das emissoras aquele era um produto fadado ao fracasso.

Colocados em um canal do Youtube logo os vídeos conquistaram a atenção de pais e professores preocupados em estimular a ludicidade nos pequenos através de um produto de entretenimento educacional. A Galinha promove um resgate das antigas cantigas de roda e brincadeiras infantis, a soma de arranjos musicais atuais e o elemento visual uma animação simples conseguiu conquistar as crianças rapidamente.

Hoje os criadores da Turma da “galinha dos ovos de ouro” tem licenciados mais de 200 produtos entre DVDs, brinquedos, material escolar, calçados e roupas. Em seu sofá Carlos sorri boquiaberto pensando: “Por que eu não tive essa ideia”?!

Entrevista: Robson Haderchpek – Ator e Diretor teatral

Por: Lina Bel Sena

A partir de hoje estaremos  aqui no “Na Toca Tem” falando sobre Teatro. Serão questionamentos, entrevistas, análises e reflexões a respeito da cena teatral e suas vertentes.  Se você tem alguma sugestão, nos manda um e-mail pra gente pesquisar e conversar a respeito.  Sejam bem vindos!! E como dizem os atores para dar sorte, antes das apresentações: MERDA para nós!

H

Na nossa estreia conversamos com  Robson Haderchpek.   Um jovem diretor, ator, preparador corporal, doutor em teatro, professor e coordenador do curso de Teatro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN.  Vem realizando  desde 2011 um trabalho de pesquisa e prática com o  Arkétypos grupo de Teatro: sempre na busca pelo poético, pela ancestralidade e pelo ritual. O teatro sagrado regido por identidade regional e sentimentos universais tem sido a base para a realização cênica do diretor.  A seguir o nosso diálogo:

No atual momento em que se encontra  o mundo, as pessoas, as artes, de rupturas e resgates, para você, como o teatro respira? E como não respira?

Para mim o teatro respira na alma das pessoas. O teatro que eu acredito só existe quando há encontro de “almas”. Quando falamos do “nosso mundo” somente para satisfazer o nosso ego e nos sentirmos vistos e apreciados o teatro perde o sentido de ser, mas quando buscamos falar do “nosso mundo” para atingir o “mundo do outro”, então abrimos um portal de comunicação que transcende o social e chega à esfera do universal, do sagrado e do mítico. Este para mim é o teatro que respira, que busca dar fôlego para a nossa labuta diária e permite-nos acionar um processo de conexão do indivíduo com o próprio ser.

H2

Ao longo da vida, alguns aprendem a respirar o ar poluído das grandes cidades e não se dão conta da quantidade de toxinas que ingerem pelo ar. O mesmo acontece com o teatro que é produzido nos grandes centros, muitos estão sufocando aos poucos, respiram um manancial de conceitos pós-dramáticos e pensam pouco no indivíduo, no encontro com o espectador. O que de fato deste teatro nos alimenta? O que de fato é ar limpo para os nossos pulmões? Não tenho a pretensão de encontrar uma resposta que sirva a todos, mas no momento busco reabilitar o meu pulmão, estou vivendo um processo de desintoxicação e o teatro que busco volta-se para este encontro de “mundos”, de “almas”.

Para você, o que significa “arkhétypos”?

Arkhétypos, palavra original em grego que significa modelo primitivo, ideias inatas e que remetem diretamente ao universal. No universo mítico, esses conteúdos remontam a uma tradição, cuja idade é impossível determinar e pertencem a um mundo do passado, cujas exigências espirituais são semelhantes às que se observam entre culturas primitivas ainda existentes. Neste sentido, o nome do grupo “Arkhétyppos” revela um pouco da nossa forma de trabalhar.

Os espetáculos do grupo Arkhétypos têm identidade regional, tratam das particularidades nordestinas, e do universal, por tratarem do humano em suas variadas formas.  Como se dá o processo de criação cênica do grupo? 

O Grupo sempre cria a partir de laboratórios, às vezes vamos a campo e nos deixamos embevecer com ambiente, com as pessoas, as histórias, os cheiros, os gostos… Às vezes mergulhamos em nós mesmos, e de lá, do mais profundo do nosso ser começamos a fazer a nossa pesquisa de campo… Quando encontramos algo significativo, algo que nos “toca” e que realmente nos potencializa, nós nos abraçamos a este algo e procuramos conhecê-lo, descobri-lo revelá-lo no espaço do laboratório.

O laboratório é um lugar atemporal que trabalha no passado, no presente e no futuro de modo concomitante acordando o corpo do ator para os mais variados “mundos”. Este é um espaço de conexão do ator com o seu universo interior, com os arquétipos e com os elementos simbólicos que compõem o seu universo imaginário. E tudo isso de alguma forma se materializa na efemeridade do processo criativo. Por isso falamos do particular e do regional, e quando fazemos isso falamos também do universal! Todos têm um mar que transborda dentro de si e todos tem em si um grande sertão. Precisamos encontrar os “mundos” que pulsam dentro de nós e precisamos de um teatro que possa fazer as pessoas pulsarem novamente! Precisamos romper as barreiras da inércia e das convenções acadêmicas e nos colocar em diálogo com universos desconhecidos, e eles não estão em outras galáxias, estão simplesmente pulsando dentro de nós.

DSC_9375 - Cópia

O espetáculo “Santa Cruz do Não Sei” foi o trabalho inicial do grupo e atualmente vocês estão em cartaz com o “Aboiá”.  Qual a principal relação entre a pesquisa e a concepção estética dos dois trabalhos?  Quais as dificuldades inerentes a ambos?

Os dois trabalhos permitiram um mergulho dos atores em si, nos universos do mar e do sertão e os dois trabalhos refletem uma preocupação de colocar o público como testemunha da ação, como um ser participante da cena. Cada qual seguiu por um percurso, o “Santa Cruz do Não Sei” seguiu pela água, pelo mergulho no universo da Vila de Ponta Negra, por histórias que dissessem algo sobre as pessoas que vivem aqui neste lugar. O “Aboiá” seguiu rumo ao interior, seguiu pela terra e pelos rastros de poeira deixados pelo povo que entrou mata adentro, seguiu as pegadas dos bois e o canto improvisado dos vaqueiros. Ambos tratam de mitologias locais, mas tratam também de universos simbólicos e de mitologias pessoais. Um brinca com palavras articuladas e conta histórias, o outro brinca com palavras desarticuladas e também conta histórias, mas os dois pedem ao corpo que ele encontre uma nova maneira de “dizer” e de expressar.

Ehhh Boi - CópiaDizem que todo viajante chega primeiramente pelo mar, depois vai desbravando os mistérios da terra e, por fim, ou monta a sua cabana e decide ficar ou segue para outro lugar! Todos nós procuramos respostas para nossas angústias e todos nós temos o nosso caminhar, mas em algum momento, e em algum lugar, o grande encontro acontecerá: o encontro do ator com o teatro, o encontro do teatro com o público, e o encontro do indivíduo consigo mesmo, com suas histórias e com o seu mundo.

E não é fácil olhar para si mesmo, não é fácil encontrar o outro, respeitar o percurso do outro, entender as histórias que ele traz consigo e se permitir “trocar”. Esta talvez seja a maior dificuldade dos dois processos, saber olhar para o outro e “ouvir’ o eco que vem de lá… somos muitos e às vezes é difícil nos sintonizar. Se isso os encontros não acontecem, pois o caminho é árduo e exige muita doação, muito amor e persistência.

O Arkhétypos foi contemplado pelo prêmio Miryam Muniz de Teatro 2012 para a montagem do espetáculo “Aboiá”. Como o você analisa as políticas públicas de fomentação cultural?

Penso que precisamos investir em políticas públicas estaduais e municipais, pois a concorrência para os editais nacionais é muito grande. Seria importante termos um edital de fomento às produções locais, esta ação com certeza fortaleceria a produção local e ajudaria os grupos a solidificarem suas propostas.

O Arkhétypos teve temporada em Natal-RN, João Pessoa-PB e acaba de retornar de Viena na  Áustria onde o senhor ministrou uma oficina e o grupo apresentou o “Aboiá”. Como foi a experiência ? 

A experiência na Áustria foi fantástica, as palavras são insuficientes para traduzir o que nós vivemos.Ministreio workshop “The art of encounter: How can a group create new rituals for themselves” em dois períodos: para alunos e professores da Universidade de Música e Artes Cênicas de Viena e fizemos uma demonstração técnica sobre o trabalho do Arkhétypos no último dia de manhã. Fizemos também três apresentações do espetáculo “Aboiá” e fomos aplaudidos ininterruptamente por um longo período pelo público vienense.

A primeira apresentação se deu no dia 28 de junho às 17h no Campus of the Univesity of Music and Performing Arts Vienna e foi surpreendente. A segunda apresentação aconteceu dentro da Conferência “Moved Music Pedagogy” no dia 29 de junho às 18h no Castelo Stetteldorf e após a apresentação o Grupo Arkhétypos foi convidado para jantar no castelo e dançar músicas tradicionais austríacas ao som de violinos frementes e muita alegria. O Grupo pôde nesta noite especial redescobrir a origem européia da quadrilha junina; foi sem dúvida um momento de epifania, lembrança memorável…

A última apresentação aconteceu no dia 01 de julho às 12h no Department of Music and Moviment Education and Music Therapy. Sinto que o espetáculo de fato tocou o público austríaco, muitos vieram emocionados falar conosco sobre o que tinham sentido durante a apresentação. Algumas pessoas disseram coisas lindas, como: “vocês estão falando de algo tão de vocês que chega a ser um pouco nosso também”, e choraram, ou seja, a linguagem do espetáculo é universal. Até a Embaixada Brasileira foi no prestigiar. Conseguimos sair da nossa terra, do sertão, do Brasil e tocar as pessoas do outro lado do mundo, esta sem dúvidas foi maior recompensa. Foi um grande encontro, com as pessoas, com a arte e com a gente mesmo.

O que mais o sensibilizou com essa experiência? 

Como diriam os junguianos, esta viagem foi para mim um processo de individuação. Não sei descrever todas as sensações, mas foram muitos resgates do meu passado e das minhas memórias mais antigas. Minha avó era de origem austríaca, eu cresci falando alemão com minha avó e meu avô, eu brincava com meus primos em São Paulo e sempre ia visitar os parentes na Vila Cruzeiro. Todo final de ano eu ia com meu avô até a casa da “oma”, a mãe dele, minha bisavó, e ela fazia questão de nos dar de presente um pinheiro de natal que ela cultivava no quintal de casa.

Sempre tive uma relação muito forte com as plantas, e quando cheguei em Viena entendi o carinho e o respeito que as pessoas têm pelas flores, pelas árvores e pela vida. Foi fabuloso perceber que todo aquele desenvolvimento se reflete na integração da população com o meio ambiente.

O workshop também foi revelador, eu precisava estar muito presente para perceber o grupo e perceber as pessoas. E elas se entregaram totalmente à minha condução e produziram coisas lindas, coisas de emocionar.

Talvez o mais significativo tenha sido justamente não ter ido sozinho, pois, quando o Grupo chegou em Viena a viagem tornou-se ainda mais especial, o ciclo se completou. As pessoas puderam entender através do espetáculo aquilo que ele falava no workshop sobre a “arte do encontro”. E para mim foi muito simbólico levar um pouco da nossa “terra” para a terra dos meus ancestrais.

Eu não posso deixar também de mencionar o carinho e cuidado de todos lá, especialmente da Profª. Angelika Hauser-Dellefant que me recebeu em sua casa e que me ensinou a fazer “apfelstrudel”*. Outra pessoa que esteve o tempo todo me auxiliando foi Anita Gritsch que veio em 2011 para o Brasil participar do Evento “Contos da Terra… Cantos do Mar” e que me ajudou na oficina.

Cruzamos o oceano e nos reencontramos do outro lado do mundo para sentirmos a potência da nossa arte e a vida que brota de nós, da nossa cultura, do nosso ser.

As Meninas - Cópia

Quais as expectativas para as apresentações em Natal? 

O espetáculo “Aboiá” entra novamente em cartaz nos dias 02, 03 e 04 de agosto às 19h no Barracão Clowns, situado na Av. Amintas Barros, nº 4673 – Nova Descoberta. Desejamos que seja uma boa temporada, a experiência de Viena só veio enriquecer o nosso trabalho, e as expectativas são as melhores. A temporada acontece também com o apoio do Prêmio de Teatro Myriam Muniz 2012 – Categoria Montagem, em parceria com o Grupo Artesanal de João Pessoa. Depois das apresentações temos a exposição fotográfica “Fragmentos de uma Tradição” dos fotógrafos Pablo Pinheiro e Tiago Lima, do Coletivo Byreçá. E na sexta-feira, especialmente no dia 02, após a apresentação, faremos um bate papo com público partilhando um pouco do processo de criação do espetáculo.

Faremos também uma promoção especial para os alunos do Curso de Teatro e de Dança e gostaríamos muito que todos estivessem presentes no dia do bate-papo, pois esta ação contribui também para o caráter formativo do projeto Arkhétypos.

Cabe destacar ainda que Arkhétypos Grupo de Teatro é imensamente grato à UFRN pelo apoio na compra das passagens e a todos aqueles que contribuíram com doações e compraram rifas para ajudar na viagem. Tal como no espetáculo, a força do coletivo supera as adversidades e movimenta a energia do universo fazendo a roda da vida girar. Neste sentido, o Arkhétypos convida todos os espectadores para este grande momento de celebração e de encontro. Só temos a agradecer!

Aboiá

Santa Cruz do Não Sei

Push/Play – 10 Potiguares

“Minha terra tem primores…”
NATOCATEM POST (2)
Para me acompanhar em meu trajeto semanal de rapaz trabalhador entre Natal – Mossoró – Natal, nada melhor que ouvir o som feito aqui na Terra do Sol / Sal, por que “onde canta o sabiá”, cantam também: Júlio, Talma & Gadelha, uivam “Cachorros Loucos” e “Coyotes”, brilha um Khrystal e uma Rosa de Pedra deixa o clima “Zens”.

Sem preocupação quanto a cronologia (tem sons do passado e do presente), quanto ao estilo (tem MPB, Pop, Blues, Rock e Ciranda), quanto à “operância” ou inoperância (algumas bandas já não existem mais), o que importa é ouvir o bom som da terrinha nessa playlist.

Push/Play

Push/Play – As 10 do Placebo

Hoje eu acordei com músicas do Placebo na cabeça…
Placebo
Placebo é uma banda que eu simplesmente adoro, uma das primeiras bandas internacionais que vi ao vivo. É certo que aquela apresentação no Recife ( em 2005 se não me engano) não teve as performances loucas que eu esperava de Brian Molko – o cara estava de jeans e camisa branca, sem muito papo com o público, que em sua maioria só conhecia Every You and Every Me.

Mas, porém, no entanto, todavia quem vai a um show além do visual – sim, o visual, a pirotecnia e uma boa performance contam pontos em uma apresentação musical, chegam inclusive a maquiar as falhas gritantes de certos artistas, o que não é o caso de Molko e do Placebo – vai de fato para ouvir, para sentir o poder daquelas músicas que ele está acostumado ouvir nos álbuns ao serem executadas ao vivo.

Ahhh que show!!!

Fiquem com 10 das minhas músicas preferidas da banda. (sem ordem cronológica, sem ordem de preferência ou algo do tipo)