Vontade de 1ª Vez no cinema

Pode ser que ao ler o título deste texto você tenha pensado que se iniciava aqui uma crônica sensual; ou quem sabe, o relato de uma sessão de filme de pornochanchada de algum cinema de rua antigo que hoje sobrevive de exibir estas películas.

Se o fiz pensar, lamento frustrar-lhe. Trata-se exatamente do contrário…

Ela tinha 9 ou 10 anos a primeira vez que seus pés pisaram naqueles chão de piso liso e desenhos em tons de vinho. O grande salão e a sensação boa do ar condicionado a recepcionaram muito bem, afinal, era verão naquela cidade no meio do pantanal do Mato grosso do Sul, o que significa dizer que em alguns dias era como viver dentro de um forno.

Foto por Monica Ramalho/Revista Moviola

Foto por Monica Ramalho/Revista Moviola

As altas paredes do salão, que tinha um belo teto com entalhes e detalhes dourados, pareciam de mármore. Hoje já não tem tanta certeza de que eram. O cheiro da pipoca estourando tomava o lugar e despertou seus sentidos. Do outro lado do balcão um rapaz de uniforme todo branco e um chapéu, perguntou o que desejava. Por trás dele havia máquinas de refrigerante, café e a pipoqueira gigante lotada de pequenos tesouros. Água na boca!

À frente do rapaz, por trás dos vidros do balcão, um colorido chamava a atenção. Fileiras e mais fileiras de doces, balas, chocolates, pirulitos e todo o açúcar que pode caber no universo infantil. Ela e a irmã mais nova ganharam da mãe um tubo com 10 balas de morango.

Uma música ambiente era ofuscada pelo barulho das crianças e mães que tomavam o salão. Era fim de tarde, assim como ela, muitas outras trajavam ainda os uniformes escolares.

O grande lustre no teto embelezava ainda mais o ambiente, mas já era hora de passar para a próxima sala. Após o grande portal de enormes cortinas vermelhas e douradas, a magia que a encantaria por toda a sua vida estava à sua espera, era muita ansiedade!

Tudo escuro. Ela podia ver sombras de pessoas se sentando nas diversas fileiras de belas cadeiras acolchoadas, tudo em vermelho com mais detalhes dourados. Cadeiras escolhidas, então era só esperar.

Logo um som alto tomou todo o lugar e um grande retângulo luminoso se destacou na frente da sala. O responsável pelo grande espetáculo foi o Walt Disney, representado ali pelo Mikey vestido de mágico, o anfitrião do show, que foi a animação Tarzan.

E foi assim, nessa tarde de sensações, que ela se apaixonou pelo cinema.

PS: O Cine Anache, na cidade de Corumbá-MS, ainda não virou igreja. Mas, o prédio hoje está abandonado, seguindo o exemplo de tantos outros cinemas de rua que morreram pelo Brasil. =/

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Vontade de ser humana

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Hoje acordei com uma música na cabeça, Human, do The Killers. Chegando ao trabalho não resisti e fui escutar aqueles caras perguntando se somos humanos ou dançarinos. Mas pera, dançarinos não são humanos? o.O

“Human” foi lançada como single do terceiro álbum em estúdio do The Killers, o Day & Age, e isso foi em 2008. E a música, a qual ouvi várias vezes durante o dia intercalada com outras da banda, me deixou intrigada com a repetitiva pergunta “Are we human or are we dancer?”.

Primeiro intrigada em saber o porque do erro de concordância nela, quem sabe um pouquinho do clássico verbo “to be” percebe que com o uso do “we” o correto seria usar a palavra “dancers”, no plural, e não no singular como está na letra da música. Mas usar desses erros os Beatles já fizeram em “ticket to ride” e ninguém morreu por isso.

Depois intrigada com o real significado dessa pergunta, obviamente o autor não está fazendo dos dançarinos uma raça diferente dos serem humanos, mas o que é então? Confesso que não sou especialista em The Killers, mas vai aí minha interpretação.

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Alguém me disse uma vez que o balé foi inventado para dar liberdade aos dançarinos, libertá-los das danças medievais que eram todas totalmente coreografadas. Essa história não deve ser verdade, já que o balé é todo coreografado, mas, é exatamente aí que se encontra o que tiro de significado dessa pergunta do The Killers.

A coreografia marcada, ensaiada e repetida exaustivamente pelos dançarinos é algo que os prende, tira deles o controle do que querem ou gostariam de fazer e os amarram, assim, na música, a palavra “dançarino” poderia ser substituída por “fantoche”, alguém controlado e sem vida.

Outras frases da música podem reafirmar isso, o desejo de liberdade, a “prisão” e o desejo de desistir de ser você mesmo: “Feche os olhos, limpe o seu coração, corte as cordas” ;“Meu sinal é vital minhas mãos estão frias e estou de joelhos” , “Dê meus cumprimentos para a alma e para o romance”.

Bom, mas este é meu ponto de vista. Discorda? Concorda? Você é humano ou dançarino?
E essa música que iniciou meu dia foi também a que finalizou, a última que ouvi quando saí da academia, a última que ouvirei antes de dormir.

Vontade de Detonautas Roque Clube

A comemoração de nove anos do portal parceiro Rock Potiguar reuniu amantes do rock no último domingo (2), no Villa Hall. O “parabéns a você” foi deixado de lado para dar lugar ao acordes da banda potiguar Dois Polos, que realizou o show de lançamento do novo cd. O fechamento, com chave de ouro, ficou por conta do Detonautas Roque Clube.

Detonautas Roque Clube - Aniversário do Rock Potiguar

Cinco segundos bastaram para fazer o público que aguardava o show do Detonautas esquecer os vários minutos de espera para o início da apresentação. “ Mercador das Almas” despertou a galera que aguardava ávida por um bom rock.

Com o recado de abertura dado Tico Sta. Cruz, Fábio, Tchello, Renato, Philippe e Dj Cléston colocaram a máscara do revolucionário inglês Guy Fawkess , famosa por ter sido utilizada pelo personagem V, do filme V de Vingança; e mandaram ver com a música “Combate”, que também foi a primeira música divulgada no EP independente com o qual a banda vem trabalhando desde 2011.

Aliás essa é uma das grandes reviravoltas da carreira desses caras, a banda que se iniciou pela internet volta às origens optando pelo formato independe da música, e também dos clipes, agora dirigidos pelo próprio Tchello.

O show foi de muita animação o tempo todo com pausas para pequenas reflexões sobre a vida puxadas pelo Tico Sta. Cruz. Mensagens do bem sempre presentes no show da banda.

Obviamente os clássicos não ficaram de fora, a princípio com “O amanhã”, “Tênis Roque”, “Send U back” (com muitos gritos na hora do maaaaais), “Só por hoje”, “No way Out”, “Quando o Sol se for”, “O bem e o mal”, dentre outros.

No meio de toda a troca de energia Tico Sta Cruz parou para agradecer a oportunidade de voltar à Natal, cidade que tanto ajudou a banda no início da carreira. O MADA, foi o primeiro grande festival no qual a banda teve oportunidade de tocar. E depois de vender o cd de mão em mão no meio da multidão e da participação no festival, o Detonautas conseguiu contrato com gravadora e se tornou a grande banda de rock que todos conhecemos.

Uma pegada mais leve do show teve início com um vocalista solitário e seu violão no centro do palco, o foco de luz sob Tico deu início a “Olhos Certos” e, obviamente, todo mundo cantou junto. Fizeram parte desses momentos também as queridas ‘Só por hoje” e “Outro Lugar”.

Para finalizar o show o Detonautas fez questão de tocar pra galera um pequeno set dedicado aos nomes que influenciaram a banda. Killing in The Name, do Rage Against Machine; Eu quero ver o Oco, dos Raimundos; Metamosfose Ambulante, de Raul Seixas e A Minha Alma, do Rappa, foram algumas das músicas escolhidas. E ao fim, a galera que esperou na fila foi atendida pelos artistas no camarim.

Confira uma entrevista feita no camarim após o show  e logo a baixo um mural de fotos do evento

Vontade de Sexo, drogas e Tarantino. Desentoca: Thriller- A Cruel Picture

Uma mulher com sede de vingança usa técnicas de artes marciais e armas de fogo para matar de forma violenta um por um daqueles que a fizeram sofrer tanto. Não, não estamos falando de Beatrix Kiddo de “Kill Bill”, esta é Madeleine, personagem do filme sueco da década de 70, Thriller- A Cruel Picture.

Quentin Tarantino já declarou em entrevistas que esse filme foi um dos que o inspirou muito na construção do personagem de Uma, em Kill Bill, principalmente a força interior dessa mulher e o desejo de uma vingança muito, muito, muito dolorosa, deixando um gostinho “gostoso” de sangue na boca.

Em Thriller- A Cruel Picture, filme lado B de violência/violação, a modelo de nú “artístico” Christina Lindberg interpreta Madeleine, menina doce e simples que foi violentada quando muito pequena, por um senhor muito nojento, e em consequência disso fica muda. Até aí tudo bem.

Um belo dia a ingênua garota trabalhava na leiteria de seu pai quando um cara charmoso em um carrão a convida para sair. Inicialmente um jantar, depois uma cerveja em casa, e no fim, o rapaz dá o “boa noite cinderela” na jovem e aplica heroína. Após dias e dias desacordada e sendo drogada Madeleine está completamente viciada, e assim, dependente do rapaz.

O homem deixa as regras bem claras, ela deve se prostituir na casa onde estão, assim ele ganha dinheiro, ela ganha pouco, mas receberá as doses da droga que tanto precisa. Após uma insubordinação uma das cenas mais chocantes do filme, o homem se torna mais violento e arranca um dos olhos de Madeleine, que passa a usar uma tapadeira. A cena do olho dá calafrios, e os suecos, que não estavam para brincadeira, utilizaram um cadáver de verdade para grava-la.

Depois de meses de humilhação por parte dos clientes, de saber que seus pais se suicidaram por culpa do cafetão, que também a agredia e humilhava, de saber que sua colega, também viciada e prostituta, foi assassinada por um cliente, Madeleine mostra o lado que tanto inspirou Tarantino e se prepara para uma super vingança, fazendo aulas de artes marciais, tiro e direção de rally.

O final é épico, digna dos melhores faroestes, a heroína mudinha nem precisa falar, mostra no olhar seu ódio, e acaba com a vida dos clientes e do cafetão de forma fria e em câmera lenta, aliás, câmera muito lenta, tanto que dá tempo de ir fazer a pipoca e voltar e ela inda não vai ter terminado de matar aquela pessoa. A morte do cafetão é cruel.

Filme muito bom, as fases da heroína podem ser acompanhadas pelas mudanças de cor de sua tapadeira que começa rosa, quando se torna prostituta, passa pelo vermelho, quando começa a se preparar para a vingança e chega ao preto no ápice de seu ódio. A interpretação é bem parada durante a maior parte do filme, como a personagem é muda, não há a fala para desviar a atenção de que a expressão de Madeleine é a mesma o tempo todo, mas até que a modelo soube fazer muito bem a Madeleine vingativa.

As cenas são bem reais, a retirada do olho, as injeções da droga ( a atriz injetava de verdade em seu corpo água com sal, para garantir a veracidade) e infelizmente as cenas de sexo também. Nesse aspecto quem curte Sexplotation vai gostar muito, eu passaria muito bem pelo filme, sem perder a essência de Madeleine, se não houvesse tantas cenas de penetração. Ainda bem que temos o botão para adiantar todas elas.

Confiram abaixo o trailler dessa obra que foi banida por um tempo lá na Suécia e possui muitas versões com mais cortes, menos cortes e nenhum corte.

Vontade de 135 cenas que vão restaurar sua fé no cinema

Vontade de 135 cenas que vão restaurar sua fé no cinema

Mantendo minha rotina de cinéfila e procurando bons sites sobre cinema encontrei esse vídeo e me senti na obrigação de dividir com vocês. Trata-se de uma produção do site Flavorwire.com . Os caras perguntaram aos leitores quais os mais belos filmes já feitos e após a resposta de mais de 100 pessoas com excelentes sugestões eles escolheram 86 files, juntaram as cenas favoritas e o resultado foi o vídeo abaixo, que consideraram “uma celebração para o imaginário cinematográfico”.

 

135 Shots That Will Restore Your Faith in Cinema from Flavorwire on Vimeo.

Vontade de Som sem Plugs

No meio da música todo mundo é cheio de vontades, é tanto efeito, edição, mixagem, grito, distorção e blá blá blá que as vezes a própria música perde muito de sua essência. Para resgatar a música potiguar e apresentá-la de sua forma mais pura (e talvez a mais bela) os colegas do Projeto Som Sem Plugs tem feito um trabalho muito bacana.

O lance é unir música acústica bem feita e bem executada em vídeos com muita beleza sonora e visual, que utiliza de ambientes marcantes, naturais ou urbanos. Um diferencial fruto das cabeças pensantes do amigo jornalista com muita bagagem audiovisual, Rafael Araújo, e seu comparsa Iran Araújo Filho, que é formado em animação gráfica pela Miami International University of Art and Design. Ou seja, o trabalho é coisa fina. Excelente som sem fios, plugs ou tomadas!

Claro que o pessoal tem uma mãozinha de vários colaboradores na produção dos vídeos, e o resultado é digno de telonas de cinema. Os meninos selecionam artistas que sejam talentos da música do RN e possuam algo especial para se mostrar, sejam histórias para contar, tocar ou os dois… não importa! “O que queremos é colocar em evidência a qualidade sonora que há no RN com formatação acústica, sem distinguir/segregar estilos musicais. Apenas música crua e verdadeira. Acústica”. Comenta Rafael.

Segundo os meninos a idéia surgiu inspirada em sites europeus como, la blogoteque (a take away show), burberry acoustics, amisterdan acoustics e também no canal do Youtube “Gabi por aí” entre outros que mostram os artistas em um formato diferente do que estamos acostumados, músicas gravadas totalmente ou parcialmente acústicas.
“As filmagens possuem uma linguagem mais subjetiva galgando um estilo cinematográfico. Temos intenção também de mostrar não só nossa música, mas também um olhar diferenciado para os cenários magníficos que nossa estado possui, tanto naturais como urbano – sendo esse um objetivo secundário”, completa Rafael.
Os rapazes já gravaram com nomes como Itanildo Show, Dodora Cardoso, Owsin Losh, o cosmopolita Júlio Lima e a galera animada da banda Arquivo Vivo.
Quer conferir?

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Julio Lima

httpv://youtu.be/zegErhunoyA

Arquivo Vivo

httpv://youtu.be/KPNtT0TUSos

Dodora Cardoso

httpv://youtu.be/rmRvVx4ckhc